Capítulo 7

Pacotes - Organizando suas classes e bibliotecas

"Uma discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas" -- Voltaire

Ao término desse capítulo, você será capaz de:

7.1 Organização

Quando um programador utiliza as classes feitas por outro, surge um problema clássico: como escrever duas classes com o mesmo nome?

Por exemplo: pode ser que a minha classe de Data funcione de um certo jeito, e a classe Data de um colega, de outro jeito. Pode ser que a classe de Data de uma biblioteca funcione ainda de uma terceira maneira diferente.

Como permitir que tudo isso realmente funcione? Como controlar quem quer usar qual classe de Data?

Pensando um pouco mais, notamos a existência de um outro problema e da própria solução: o sistema operacional não permite a existência de dois arquivos com o mesmo nome sob o mesmo diretório, portanto precisamos organizar nossas classes em diretórios diferentes.

Os diretórios estão diretamente relacionados aos chamados pacotes e costumam agrupar classes de funcionalidades similares ou relacionadas.

Por exemplo, no pacote java.util temos as classes Date, SimpleDateFormat e GregorianCalendar; todas elas trabalham com datas de formas diferentes.

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7.2 Diretórios

Se a classe Cliente está no pacote contas, ela deverá estar no diretório com o mesmo nome: contas. Se ela se localiza no pacote br.com.caelum.contas, significa que está no diretório br/com/caelum/contas.

A classe Cliente, que se localiza nesse último diretório mencionado, deve ser escrita da seguinte forma:

    package br.com.caelum.contas;

    class Cliente {
        // ...
    }

Fica fácil notar que a palavra chave package indica qual o pacote/diretório contém esta classe.

Um pacote pode conter nenhum ou mais subpacotes e/ou classes dentro dele.

Padrão da nomenclatura dos pacotes

O padrão da sun para dar nome aos pacotes é relativo ao nome da empresa que desenvolveu a classe:

br.com.nomedaempresa.nomedoprojeto.subpacote
br.com.nomedaempresa.nomedoprojeto.subpacote2
br.com.nomedaempresa.nomedoprojeto.subpacote2.subpacote3

Os pacotes só possuem letras minúsculas, não importa quantas palavras estejam contidas nele. Esse padrão existe para evitar ao máximo o conflito de pacotes de empresas diferentes.

As classes do pacote padrão de bibliotecas não seguem essa nomenclatura, que foi dada para bibliotecas de terceiros.

7.3 Import

Para usar uma classe do mesmo pacote, basta fazer referência a ela como foi feito até agora simplesmente escrevendo o próprio nome da classe. Se quisermos que a classe Banco fique dentro do pacote br.com.caelum.contas, ela deve ser declarada assim:

    package br.com.caelum.contas;

    class Banco {
        String nome;
    }

Para a classe Cliente ficar no mesmo pacote, seguimos a mesma fórmula:

    package br.com.caelum.contas;

    class Cliente {
        String nome;
        String endereco;
    }

A novidade chega ao tentar utilizar a classe Banco (ou Cliente) em uma outra classe que esteja fora desse pacote, por exemplo, no pacote br.com.caelum.contas.main:

    package br.com.caelum.contas.main;

    class TesteDoBanco {

        public static void main(String[] args) {
          br.com.caelum.contas.Banco meuBanco = new br.com.caelum.contas.Banco();
          meuBanco.nome = "Banco do Brasil";
          System.out.println(meuBanco.nome);
        }

    }

Repare que precisamos referenciar a classe Banco com todo o nome do pacote na sua frente. Esse é o conhecido Fully Qualified Name de uma classe. Em outras palavras, esse é o verdadeiro nome de uma classe, por isso duas classes com o mesmo nome em pacotes diferentes não conflitam.

Mesmo assim, ao tentar compilar a classe anterior, surge um erro reclamando que a classe Banco não está visível.

Acontece que as classes só são visíveis para outras no mesmo pacote e, para permitir que a classe TesteDoBanco veja e acesse a classe Banco em outro pacote, precisamos alterar essa última e transformá-la em pública:

    package br.com.caelum.contas;

    public class Banco {
        String nome;
    }

A palavra chave public libera o acesso para classes de outros pacotes. Do mesmo jeito que o compilador reclamou que a classe não estava visível, ele reclama que o atributo/variável membro também não está. É fácil deduzir como resolver o problema: utilizando novamente o modificador public:

    package br.com.caelum.contas;

    public class Banco {
        public String nome;
    }

Podemos testar nosso exemplo anterior, lembrando que utilizar atributos como público não traz encapsulamento e está aqui como ilustração.

Voltando ao código do TesteDoBanco, é necessário escrever todo o pacote para identificar qual classe queremos usar? O exemplo que usamos ficou bem complicado de ler:

    br.com.caelum.contas.Banco meuBanco = new br.com.caelum.contas.Banco();

Existe uma maneira mais simples de se referenciar a classe Banco: basta importá-la do pacote br.com.caelum.contas:

    package br.com.caelum.contas.main;

    // para podermos referenciar 
    // a Banco diretamente
    import br.com.caelum.contas.Banco;

    public class TesteDoBanco {

        public static void main(String[] args) {
            Banco meuBanco = new Banco();
            meuBanco.nome = "Banco do Brasil";
        }

    }

Isso faz com que não precisemos nos referenciar utilizando o fully qualified name, podendo utilizar Banco dentro do nosso código em vez de escrever o longo br.com.caelum.contas.Banco.

package, import, class

É muito importante manter a ordem! Primeiro, aparece uma (ou nenhuma) vez o package; depois, pode aparecer um ou mais imports; e, por último, as declarações de classes.

import x.y.z.*;

É possível "importar um pacote inteiro" (todas as classes do pacote, exceto os subpacotes) através do coringa *:

import java.util.*;

Importar todas as classes de um pacote não implica em perda de performance em tempo de execução, mas pode trazer problemas com classes de mesmo nome! Além disso, importar de um em um é considerado boa prática, pois facilita a leitura para outros programadores. Uma IDE como o Eclipse já vai fazer isso por você, assim como a organização em diretórios.

7.4 Acesso aos atributos, construtores e métodos

Os modificadores de acesso existentes em Java são quatro, e até o momento já vimos três, mas só explicamos dois.

Classes públicas

Para melhor organizar seu código, o Java não permite mais de uma classe pública por arquivo e o arquivo deve ser NomeDaClasse.java.

Uma vez que outros programadores irão utilizar essa classe, quando precisarem olhar o código da mesma, fica mais fácil encontrá-la sabendo que ela está no arquivo de mesmo nome.

Classes aninhadas podem ser protected ou private, mas esse é um tópico avançado que não será estudado nesse momento.

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7.5 Usando o Eclipse com pacotes

Você pode usar a perspectiva Java do Eclipse. A view principal de navegação é o Package Explorer, que agrupa classes pelos pacotes em vez de diretórios (você pode usá-la em conjunto com a Navigator, basta também abri-la pelo Window/Show View/Package Explorer).

Antes de movermos nossas classes, declare-as como públicas e coloque-as em seus respectivos arquivos: um arquivo para cada classe.

Você pode mover uma classe de pacote arrastando-a para o destino desejado. Repare que o Eclipse já declara packages e imports necessários:

No Eclipse nunca precisamos declarar um import, pois ele sempre vai sugerir isso quando usarmos o Ctrl+Espaço no nome de uma classe.

Você também pode usar o Ctrl+1 no caso da declaração de pacote possuir algum erro.

7.6 Exercícios: Pacotes

Atenção: utilize os recursos do Eclipse para realizar essas mudanças. Use a view package-explorer, que vai auxiliar bastante a manipulação dos arquivos e diretórios. Também utilize os quick fixes quando o Eclipse reclamar dos diversos problemas de compilação que aparecerão. É possível fazer esse exercício inteiro sem modificar uma linha de código manualmente. Aproveite para praticar e descobrir o Eclipse, evite usá-lo apenas como um editor de texto.

Por exemplo, com o Eclipse nunca precisamos nos preocupar com os imports: ao usar o auto complete, ele já joga o import lá em cima. E, se você não fez isso, ele sugere colocar o import.

  1. Selecionando o src do seu projeto, faça ctrl + N e escreva Package para o seu sistema de Contas começar a utilizar pacotes. Na janela de criação de pacotes escreva o nome completo do pacote seguindo a convenção de código da Sun, desde o br, e o Eclipse tratará de fazer a separação das pastas corretamente. Cuidado: para esse curso, os nomes dos pacotes precisam ser os seguintes:

    • br.com.caelum.contas.main: colocar a classe com o método main aqui (o Teste)
    • br.com.caelum.contas.modelo: colocar a classe Conta

      Antes de corrigir qualquer erro de compilação, primeiro mova todas as suas classes, sem deixar nenhuma no pacote default.

  2. Se você ainda não tiver separado cada classe em um arquivo, essa é a hora de mudar isso. Coloque cada classe em seu respectivo arquivo .java. Faça isso independente de ela ser pública: é uma boa prática.
  3. Caso o código não compile prontamente, repare que pelo menos algum método que declaramos é package-private quando, na verdade, precisamos que ele seja public. O mesmo vale para as classes: algumas delas precisarão ser públicas.

    Se houver algum erro de compilação, use o recurso de quick fix do Eclipse aqui: ele mesmo vai sugerir que o modificador de acesso deve ser público. Para isso, use o ctrl + 1 em cada um dos erros, escolhendo o quick fix mais adequado para seu problema.

  4. (Opcional) Abra a view Navigator para ver como ficou os arquivos no sistema de arquivos do seu sistema operacional. Para isso, use ctrl + 3, comece a digitar Navigator e escolha a opção de abrir essa view..