Curso Java e Orientação a Objetos > apostila > Capitulo 09

Herança, Reescrita e Polimorfismo

"O homem absurdo é aquele que nunca muda." -- Georges Clemenceau

Ao final deste capítulo, você será capaz de:

Repetindo código?

Como toda empresa, nosso banco tem funcionários. Modelemos a classe Funcionario:

    public class Funcionario {
        private String nome;
        private String cpf;
        private double salario;
         // métodos devem vir aqui
    }

Além de um funcionário comum, há também outros cargos, como os gerentes; estes guardam a mesma informação que um funcionário comum, mas também têm outros dados e funcionalidades um pouco diferentes. Por exemplo, um gerente no nosso banco tem uma senha numérica que permite o acesso ao sistema interno do banco, além do número de funcionários os quais ele gerencia:

public class Gerente {
    private String nome;
    private String cpf;
    private double salario;
    private int senha;
    private int numeroDeFuncionariosGerenciados;

    public boolean autentica(int senha) {
        if (this.senha == senha) {
            System.out.println("Acesso Permitido!");
            return true;
        } else {
            System.out.println("Acesso Negado!");
            return false;
        }
    }

    // outros métodos 
}

Precisamos mesmo de outra classe?

Poderíamos ter deixado a classe Funcionario mais genérica, mantendo nela a senha de acesso e o número de funcionários gerenciados. Caso o funcionário não fosse um gerente, deixaríamos esses atributos vazios.

Essa é uma possibilidade, porém, com o tempo, podemos passar a ter muito atributos opcionais, e a classe ficaria estranha. E em relação aos métodos? A classe Gerente tem o método autentica, que não faz sentido existir em um funcionário o qual não é gerente.

Se tivéssemos um outro tipo de funcionário que tem características diferentes do funcionário comum, precisaríamos criar uma outra classe e copiar o código novamente!

Além disso, se um dia precisarmos adicionar uma nova informação a todos os funcionários, precisaremos passar por todas as classes de funcionário e adicionar esse atributo. O problema acontece novamente por não centralizarmos os dados principais do funcionário em um único lugar.

Existe um jeito, em Java, de relacionarmos uma classe de tal maneira que uma delas herda tudo que a outra tem. Isso é uma relação de classe mãe e classe filha. No nosso caso, gostaríamos de fazer com que o Gerente tivesse tudo que um Funcionario tem, gostaríamos que ela fosse uma extensão de Funcionario. Fazemos isso por meio da palavra-chave extends.

    public class Gerente extends Funcionario {
        private int senha;
        private int numeroDeFuncionariosGerenciados;

        public boolean autentica(int senha) {
            if (this.senha == senha) {
                System.out.println("Acesso Permitido!");
                return true;
            } else {
                System.out.println("Acesso Negado!");
                return false;
            }
        }

        // setter da senha omitido
    }

Em todo momento que criarmos um objeto do tipo Gerente, este terá também os atributos definidos na classe Funcionario, pois um Gerente é um Funcionario:

 {w=15}

    public class TestaGerente {
        public static void main(String[] args) {
            Gerente gerente = new Gerente();

            // podemos chamar métodos do Funcionario:
            gerente.setNome("João da Silva");

            // e também métodos do Gerente!
            gerente.setSenha(4231);
        }
    }

Dizemos que a classe Gerente herda todos os atributos e métodos da classe mãe, no nosso caso, a Funcionario. Para ser mais preciso, ela também herda os atributos e métodos privados, porém não consegue acessá-los diretamente. Para acessar um membro privado na filha indiretamente, seria necessário que a mãe expusesse um outro método visível que invocasse esse atributo ou método privado.

Super e Sub classe

A nomenclatura mais encontrada é que Funcionario é a superclasse de Gerente, e Gerente é a subclasse de Funcionario. Dizemos também que todo Gerente é um Funcionario. Outra forma é dizer que Funcionario é a classe mãe de Gerente, e Gerente é a classe filha de Funcionario.

E se precisamos acessar os atributos que herdamos? Não gostaríamos de deixar os atributos de Funcionario, public, pois, dessa maneira, qualquer um poderia alterar os atributos dos objetos desse tipo. Existe um outro modificador de acesso, o protected, o qual fica entre o private e o public. Um atributo protected só pode ser acessado (visível) pela própria classe, suas subclasses e classes encontradas no mesmo pacote.

    public class Funcionario {
        protected String nome;
        protected String cpf;
        protected double salario;
        // métodos devem vir aqui
    }

Sempre usar protected?

Então por que usar private? Depois de um tempo programando orientado a objetos, você começará a sentir que nem sempre é uma boa ideia deixar a classe filha acessar os atributos da classe mãe, pois isso quebra um pouco a percepção de que só aquela classe deveria manipular seus atributos. Essa é uma discussão um tanto mais avançada.

Além disso, não só as subclasses, mas também as outras classes que se encontram no mesmo pacote podem acessar os atributos protected. Veja outras alternativas ao protected no exercício de discussão em sala de aula juntamente com o instrutor.

Da mesma maneira, podemos ter uma classe Diretor que estenda Gerente, e a classe Presidente pode estender diretamente de Funcionario.

Fique claro que essa é uma decisão de negócio. Se Diretor estenderá de Gerente ou não, dependerá se, para você, Diretor é um Gerente.

Uma classe pode ter várias filhas, mas apenas uma mãe. É a chamada herança simples do Java.

 {w=70%}

Reescrita de método

Todo fim de ano, os funcionários do nosso banco recebem uma bonificação. Os funcionários comuns recebem 10% do valor do salário e os gerentes, 15%.

Vejamos como fica a classe Funcionario:

    public class Funcionario {
        protected String nome;
        protected String cpf;
        protected double salario;

        public double getBonificacao() {
            return this.salario * 0.10;
        }
        // métodos
    }

Se deixarmos a classe Gerente como está, ela herdará o método getBonificacao.

    Gerente gerente = new Gerente();
    gerente.setSalario(5000.0);
    System.out.println(gerente.getBonificacao());

O resultado aqui será 500. Não queremos essa resposta, pois o gerente deveria ter 750 de bônus nesse caso. Para consertar isso, uma das opções seria criar um novo método na classe Gerente chamado, por exemplo, getBonificacaoDoGerente. O problema é que teríamos dois métodos em Gerente, confundindo bastante quem for usar essa classe, além disso, cada um dá uma resposta diferente.

No Java, quando herdamos um método, podemos alterar seu comportamento. Podemos reescrever (reescrever, sobrescrever, override) esse método:

    public class Gerente extends Funcionario {
        int senha;
        int numeroDeFuncionariosGerenciados;

        public double getBonificacao() {
            return this.salario * 0.15;
        }
        // ...
    }

Agora o método está correto para o Gerente. Refaça o teste e veja que o valor impresso é o correto (750):

    Gerente gerente = new Gerente();
    gerente.setSalario(5000.0);
    System.out.println(gerente.getBonificacao());

A anotação @Override

Há como deixar explícito no seu código que determinado método é a reescrita de um método da classe mãe dele. Podemos fazê-lo colocando @Override em cima do método. Isso é chamado anotação. Existem diversas anotações, e cada uma terá um efeito diferente sobre seu código.

      @Override
      public double getBonificacao() {
          return this.salario * 0.15;
      }

Repare que, por questões de compatibilidade, isso não é obrigatório. Mas caso um método esteja anotado com @Override, ele necessariamente precisa estar reescrevendo um método da classe mãe.

Invocando o método reescrito

Depois de reescrito, não podemos mais chamar o método antigo que fora herdado da classe mãe: realmente alteramos o seu comportamento. Mas podemos invocá-lo no caso de estarmos dentro da classe.

Imagine que, para calcular a bonificação de um Gerente, devamos fazer igual ao cálculo de um Funcionario, porém adicionando R$ 1000. Poderíamos fazer assim:

    public class Gerente extends Funcionario {
        int senha;
        int numeroDeFuncionariosGerenciados;

        public double getBonificacao() {
            return this.salario * 0.10 + 1000;
        }
         // ...
    }

Aqui teríamos um problema: o dia que o getBonificacao do Funcionario mudar, precisaremos mudar o método do Gerente a fim de acompanhar a nova bonificação. Para evitar isso, o getBonificacao do Gerente pode chamar o do Funcionario utilizando a palavra-chave super.

    public class Gerente extends Funcionario {
        int senha;
        int numeroDeFuncionariosGerenciados;

        public double getBonificacao() {
            return super.getBonificacao() + 1000;
        }
         // ...
    }

Essa invocação procurará o método com o nome getBonificacao de uma super classe de Gerente. No caso, ele logo encontrará esse método em Funcionario.

Essa é uma prática comum, pois, em muitos casos, o método reescrito geralmente faz algo a mais que o método da classe mãe. Chamar ou não o método de cima é uma decisão sua e depende do seu problema. Algumas vezes, não faz sentido invocar o método que reescrevemos.

Polimorfismo

O que guarda uma variável do tipo Funcionario? Uma referência para um Funcionario, nunca o objeto em si.

Na herança, vimos que todo Gerente é um Funcionario, pois é uma extensão deste. Podemos nos referir a um Gerente como sendo um Funcionario. Se alguém precisa falar com um Funcionario do banco, pode falar com um Gerente! Por quê? Pois, Gerente é um Funcionario. Essa é a semântica da herança.

    Gerente gerente = new Gerente();
    Funcionario funcionario = gerente; 
    funcionario.setSalario(5000.0);

 {w=40}

Polimorfismo é a capacidade de um objeto poder ser referenciado de várias formas (cuidado, polimorfismo não quer dizer que o objeto fica se transformando, muito pelo contrário, um objeto nasce de um tipo e morre daquele tipo, o que pode mudar é a maneira como nos referimos a ele).

Até aqui tudo bem, mas e se eu tentar:

funcionario.getBonificacao();

Qual é o retorno desse método? 500 ou 750? No Java, a invocação de método sempre será decidida em tempo de execução. O Java procurará o objeto na memória e, aí sim, decidirá qual método deve ser chamado, sempre relacionando com sua classe de verdade, e não com a que estamos usando para referenciá-lo. Apesar de estarmos nos referenciando a esse Gerente como sendo um Funcionario, o método executado é o do Gerente. O retorno é 750.

Parece estranho criar um gerente e referenciá-lo como apenas um funcionário. Por que faríamos isso? Na verdade, a situação que costuma aparecer é a que temos um método que recebe um argumento do tipo Funcionario:

    class ControleDeBonificacoes {
        private double totalDeBonificacoes = 0;

        public void registra(Funcionario funcionario) {
            this.totalDeBonificacoes += funcionario.getBonificacao();
        }

        public double getTotalDeBonificacoes() {
            return this.totalDeBonificacoes;
        }
    }

E em algum lugar da minha aplicação (ou no main, se for apenas para testes):

    ControleDeBonificacoes controle = new ControleDeBonificacoes();

    Gerente funcionario1 = new Gerente();
    funcionario1.setSalario(5000.0);
    controle.registra(funcionario1);

    Funcionario funcionario2 = new Funcionario();
    funcionario2.setSalario(1000.0);
    controle.registra(funcionario2);

    System.out.println(controle.getTotalDeBonificacoes());

Repare que conseguimos passar um Gerente para um método que recebe um Funcionario como argumento. Pense em uma porta na agência bancária com o seguinte aviso: "Permitida a entrada apenas de funcionários". Um gerente pode passar nessa porta? Sim, pois Gerente é um Funcionario.

Qual será o valor resultante? Não importa que dentro do método registra o ControleDeBonificacoes receba Funcionario. Quando ele receber um objeto que realmente é um Gerente, o seu método reescrito será invocado. Reafirmando: não importa como nos referenciamos a um objeto, o método a ser invocado é sempre o do próprio objeto.

No dia em que criarmos uma classe Secretaria, por exemplo, que é filha de Funcionario, precisaremos mudar a classe de ControleDeBonificacoes? Não. Basta a classe Secretaria reescrever os métodos que lhe parecerem necessários. É exatamente esse o poder do polimorfismo juntamente com a reescrita de método: diminuir o acoplamento entre as classes para evitar que novos códigos resultem em modificações em inúmeros lugares.

Repare que quem criou ControleDeBonificacoes pode nunca ter imaginado a criação da classe Secretaria ou Engenheiro. Contudo, não será necessário reimplementar esse controle em cada nova classe: reaproveitamos aquele código.

Herança versus acoplamento

Note que o uso de herança aumenta o acoplamento entre as classes, isto é, o quanto uma classe depende de outra. A relação entre as classes mãe e filha é muito forte e isso acaba fazendo com que o programador das classes filhas tenha de conhecer a implementação da classe mãe, e vice-versa – fica difícil fazer uma mudança pontual no sistema.

Por exemplo, imagine se mudássemos algo na nossa classe Funcionario, mas não quiséssemos que todos os funcionários sofressem a mesma mudança. Precisaríamos passar por cada uma das filhas de Funcionario, verificando se ela se comporta como deveria, ou se deveríamos sobrescrever o tal método modificado.

Esse é um problema da herança, e não do polimorfismo, que resolveremos mais tarde com a ajuda de Interfaces.

Um outro exemplo

Imagine que modelaremos um sistema para a faculdade que controle as despesas com funcionários e professores. Nosso funcionário fica assim:

    public class EmpregadoDaFaculdade {
        private String nome;
        private double salario;
        public double getGastos() {
            return this.salario;
        }
        public String getInfo() {
            return "nome: " + this.nome + " com salário " + this.salario;
        }
         // métodos de get, set e outros
    }

O gasto que temos com o professor não é apenas o seu salário. Temos de somar um bônus de dez reais por hora/aula. O que fazemos então? Reescrevemos o método. Da mesma forma que o getGastos é diferente, o getInfo também o será, pois temos de mostrar as horas/aula também.

    public class ProfessorDaFaculdade extends EmpregadoDaFaculdade {
        private int horasDeAula;
        public double getGastos() {
            return this.getSalario() + this.horasDeAula * 10;
        }
        public String getInfo() {
            String informacaoBasica = super.getInfo();
            String informacao = informacaoBasica + " horas de aula: " 
                                                    + this.horasDeAula;
            return informacao;
        }
        // métodos de get, set e outros que forem necessários
    }

A novidade aqui é a palavra-chave super. Apesar do método ter sido reescrito, gostaríamos de acessar o método da classe mãe para não ter de copiar e colocar o conteúdo desse método e depois concatenar com a informação das horas de aula.

Como tiramos proveito do polimorfismo? Imagine que tenhamos uma classe de relatório:

    public class GeradorDeRelatorio {
        public void adiciona(EmpregadoDaFaculdade f) {
            System.out.println(f.getInfo());
            System.out.println(f.getGastos());
        }
    }

Poderíamos passar para nossa classe qualquer EmpregadoDaFaculdade! Funcionaria tanto para professor quanto para funcionário comum.

Suponhamos que um certo dia, muito depois de terminar essa classe de relatório, resolvêssemos aumentar nosso sistema e colocar uma classe nova que representa o Reitor. Como ele também é um EmpregadoDaFaculdade, será que precisaríamos alterar algo na nossa classe de Relatorio? Não. Essa é a ideia! Quem programou a classe GeradorDeRelatorio nunca imaginou que existiria uma classe Reitor e, mesmo assim, o sistema funcionaria.

    public class Reitor extends EmpregadoDaFaculdade {
         // informações extras
        public String getInfo() {
            return super.getInfo() + " e ele é um reitor";
        }
         // não sobrescrevemos o getGastos!!!
    }

Um pouco mais...

Mais sobre o mau uso da herança

No blog da Caelum, existe um artigo interessante abordando esse tópico:

http://blog.caelum.com.br/2006/10/14/como-nao-aprender-orientacao-a-objetos-heranca/

James Gosling, um dos criadores do Java, é um crítico do mau uso da herança. Nesta entrevista, ele discute a possibilidade de se utilizar apenas interfaces e composição, eliminando a necessidade da herança:

http://www.artima.com/intv/gosling3P.html

Exercícios: herança e polimorfismo

  1. Teremos mais de um tipo de conta no nosso sistema, então precisaremos de uma nova tela para cadastrar os diferentes tipos de conta. Essa tela já está pronta, e, para utilizá-la, só precisamos alterar a classe que estamos chamando no método main() no TestaContas.java:

    package br.com.caelum.contas.main;
    
    import br.com.caelum.javafx.api.main.SistemaBancario;
    
    public class TestaContas {
    
        public static void main(String[] args) {
            SistemaBancario.mostraTela(false);
            // TelaDeContas.main(args);
        }
    }       
  2. Ao rodar a classe TestaContas agora, teremos a tela abaixo:

     {w=50}

    Entraremos na tela de criação de contas com o objetivo de verificar o que precisaremos implementar para o sistema funcionar. Desse modo, clique no botão Nova Conta. A seguinte tela aparecerá:

     {w=50}

    Podemos perceber que, além das informações que já tínhamos na conta, temos agora o tipo: se queremos uma conta-corrente ou uma conta poupança. Então, criemos as classes correspondentes.

    • Crie a classe ContaCorrente no pacote br.com.caelum.contas.modelo e faça com que ela seja filha da classe Conta.
    • Crie a classe ContaPoupanca no pacote br.com.caelum.contas.modelo e faça com que ela seja filha da classe Conta.
  3. Precisamos pegar os dados da tela para conseguirmos criar a conta correspondente. Na classe ManipuladorDeContas, alteraremos o método criaConta. Atualmente, somente criamos uma nova conta com os dados direto no código. Façamos com que agora os dados sejam recuperados da tela e colocados na nova conta. Para fazer isso, utililize o objeto do tipo evento que é exigido como parâmetro do método criaConta.

    Dicas: a seguir, algumas informações importantes sobre a classe Evento (a qual é responsável pela tela Nova Conta):

    • Para obter o conteúdo do campo agencia, invoque o método getString("agencia");;

    • Para obter o conteúdo do campo numero, invoque o método getInt("numero"));;

    • Para obter o conteúdo do campo titular, invoque o método evento.getString("titular");.

    • Observe, na figura anterior, que agora precisamos escolher que tipo de conta queremos criar (conta-corrente ou conta poupança) e, portanto, teremos de recuperar o tipo da conta escolhido e criar a conta correspondente.

    Para isso, ao invés de criar um objeto do tipo 'Conta', usaremos o método getSelecionadoNoRadio do objeto evento com o intuito de pegar o tipo, fazer um if para verificar e só depois criar o objeto do tipo correspondente. A seguir, um trecho do código:

    public void criaConta(Evento evento){   
        String tipo = evento.getSelecionadoNoRadio("tipo");
        if (tipo.equals("Conta Corrente")) {
        //complete o código
    
    } 
  4. Apesar de já conseguirmos criar os dois tipos de contas, nossa lista não consegue exibir o tipo de cada conta na lista da tela inicial. Para resolver isso, podemos criar um método getTipo em cada uma das classes que representam nossas contas, fazendo com que a conta-corrente devolva a string "Conta Corrente" e a conta poupança devolva a string "Conta Poupança".

  5. Atenção! Altere os métodos saca e deposita para buscarem o campo valorOperacao ao invés de apenas valor na classe ManipuladorDeContas.

  6. Mudemos o comportamento da operação de saque de acordo com o tipo de conta que estiver sendo utilizada. Na classe ManipuladorDeContas, alteraremos o método saca para tirar 10 centavos de cada saque em uma conta-corrente. A seguir, um trecho do código:

    public void saca(Evento evento) {
        double valor = evento.getDouble("valorOperacao");
        if (this.conta.getTipo().equals("Conta Corrente")){
       //complete o código
    
    }

    Dica: ao tentarmos chamar o método getTipo, o Eclipse reclamou que este não existe na classe Conta, apesar de existir nas classes filhas. O que fazer para resolver isso?

  7. O código compila, mas temos um outro problema. A lógica do nosso saque vazou para a classe ManipuladorDeContas. Se algum dia precisarmos alterar o valor da taxa no saque, teríamos que mudar em todos os lugares onde fazemos uso do método saca. Essa lógica deveria estar encapsulada dentro do método saca de cada conta. Como resolver isso?

    Dica: repare que, a fim de acessar o atributo saldo herdado da classe Conta, você precisará mudar o modificador de visibilidade de saldo para protected.

    Agora que a lógica está encapsulada, você precisa corrigir o método saca da classe ManipuladorDeContas.

    Perceba que, neste momento, tratamos a conta de forma genérica!

  8. Rode a classe TestaContas, adicione uma conta de cada tipo e veja se o tipo é apresentado corretamente na lista de contas da tela inicial.

    Agora, clique na conta-corrente apresentada na lista para abrir a tela de detalhes de contas. Teste as operações de saque e depósito e perceba que a conta apresenta o comportamento de uma conta-corrente, conforme o esperado.

    E se tentarmos realizar uma transferência da conta-corrente para a conta poupança? O que acontece?

  9. Agora você precisa implementar o método transfere na classe Conta e na classe ManipuladorDeContas. Para tal, observe o seguinte:

    • O método transfere da classe Conta deve receber, como parâmetro, duas variáveis, uma referente ao valor a ser transferido, e outra para a conta de destino.

    • O método transfere da classe ManipuladorDeContas deve existir para fazer o vínculo entre a tela e a classe Conta, assim ele deve receber um objeto do tipo Evento como parâmetro.

    • No corpo do método, por meio do objeto do tipo Evento, deve-se invocar o método getSelecionadoNoCombo("destino");

    • Em seguida, por meio do objeto do tipo Conta, deve-se chamar o método transfere da classe Conta para que a transferência seja, de fato, realizada.

    Rode de novo a aplicação e teste a operação de transferência.

  10. Considere o código abaixo:

        Conta c = new Conta();
        ContaCorrente cc = new ContaCorrente();
        ContaPoupanca cp = new ContaPoupanca();

    Se o mudarmos para:

        Conta c = new Conta();
        Conta cc = new ContaCorrente();
        Conta cp = new ContaPoupanca();

    Compila? Roda? O que muda? Qual é a utilidade disso? Realmente, essa não é a maneira mais útil do polimorfismo. Porém, existe uma utilidade ao declararmos uma variável de um tipo menos específico do que o objeto realmente é, como fazemos na classe ManipuladorDeContas.

    É extremamente importante perceber que não importa como nos referimos a um objeto, o método a ser invocado é sempre o mesmo! A JVM descobrirá, em tempo de execução, qual deve ser invocado, dependendo do tipo daquele objeto, e não considerando como fazemos referência a ele.

  11. (Opcional) A nossa classe Conta devolve a palavra "Conta" no método getTipo. Use a palavra-chave super nos métodos getTipo reescritos nas classes filhas para não ter de reescrever a palavra "Conta" ao devolver os textos "Conta Corrente" e "Conta Poupança".

  12. (Opcional) Se você precisasse criar uma classe ContaInvestimento, e seu método saca fosse complicadíssimo, precisaria alterar a classe ManipuladorDeContas?

Discussões em aula: alternativas ao atributo protected

Discuta com o seu instrutor e colegas alternativas ao uso do atributo protected na herança. Preciso realmente afrouxar o encapsulamento do atributo por causa da herança? Como fazer para o atributo continuar private na mãe, e as filhas conseguirem, de alguma forma, trabalhar com ele?