Curso Java e Orientação a Objetos > apostila > Capitulo 11

Interfaces

"Uma imagem vale mil palavras. Uma interface vale mil imagens." -- Ben Shneiderman

Ao final deste capítulo, você será capaz de:

Aumentando nosso exemplo

Imagine que um sistema de controle do banco possa ser acessado pelos diretores do banco, além dos gerentes. Então, teríamos uma classe Diretor:

public class Diretor extends Funcionario {

    public boolean autentica(int senha) {
        // Verificar aqui se a senha confere com a recebida como parâmetro.
    }

}

E a classe Gerente:

public class Gerente extends Funcionario {

    public boolean autentica(int senha) {
        // Verificar aqui se a senha confere com a recebida como parâmetro.
        // No caso do gerente, conferir também se o departamento dele
        // tem acesso.
    }

}

 {w=80}

Repare que o método de autenticação de cada tipo de Funcionario pode variar muito. Mas vamos aos problemas. Considere o SistemaInterno e seu controle: precisamos receber um Diretor ou Gerente como argumento, verificar se ele se autentica e colocá-lo dentro do sistema.

public class SistemaInterno {

    public void login(Funcionario funcionario) {
        // Invocar o método autentica?
        // Não dá! Nem todo Funcionario o tem.
    }
}

O SistemaInterno aceita qualquer tipo de Funcionario, tendo ele acesso ao sistema ou não, mas note que nem todo Funcionario tem o método autentica. Isso nos impede de chamar esse método com uma referência apenas a Funcionario (haveria um erro de compilação). O que fazer, então?

public class SistemaInterno {

    public void login(Funcionario funcionario) {
        funcionario.autentica(...); // não compila
    }
}

Uma possibilidade é criar dois métodos login no SistemaInterno: um para receber Diretor, e outro, Gerente. Já vimos que essa não é uma boa escolha. Por quê?

public class SistemaInterno {

    // design problemático
    public void login(Diretor funcionario) {
        funcionario.autentica(...);
    }

    // design problemático
    public void login(Gerente funcionario) {
        funcionario.autentica(...);
    }

}

Cada vez que criarmos uma nova classe de Funcionario que é autenticável, precisaríamos adicionar um novo método de login no SistemaInterno.

Métodos com mesmo nome

Em Java, métodos podem ter o mesmo nome desde que não sejam ambíguos, isto é, que exista uma maneira de distingui-los no momento da chamada.

Isso se chama sobrecarga de método. (Overloading. Não confundir com overriding, que é um conceito muito mais poderoso).

Uma solução mais interessante seria criar uma classe no meio da árvore de herança, FuncionarioAutenticavel:

public class FuncionarioAutenticavel extends Funcionario {

    public boolean autentica(int senha) {
        // Faz autenticação padrão.
    }

    // Outros atributos e métodos.

}

As classes Diretor e Gerente passariam a estender de FuncionarioAutenticavel, e o SistemaInterno receberia referências desse tipo, como se mostra a seguir:

public class SistemaInterno {

    public void login(FuncionarioAutenticavel fa) {

        int senha = //Pega senha de um lugar ou de um scanner de polegar.

        // Aqui eu posso chamar o autentica!
        // Pois, todo FuncionarioAutenticavel o tem.
        boolean ok = fa.autentica(senha);

    }
}

 {w=90}

Repare que FuncionarioAutenticavel é um forte candidato à classe abstrata. Além disso, o método autentica ainda poderia ser um método abstrato.

O uso de herança resolve esse caso, mas vamos a uma outra situação um pouco mais complexa: precisamos que todos os clientes também tenham acesso ao SistemaInterno. O que fazer? Uma opção é criar outro método login em SistemaInterno, mas já descartamos essa possibilidade anteriormente.

Uma outra opção que é comum entre os novatos é fazer uma herança sem sentido para resolver o problema, por exemplo, fazer Cliente extends FuncionarioAutenticavel. Realmente resolve o problema, mas trará diversos outros. Cliente definitivamente não é FuncionarioAutenticavel. Se você fizer isso, o Cliente terá, por exemplo, um método getBonificacao, um atributo salário e outros membros que não fazem o menor sentido para essa classe. Não faça herança caso a relação não seja estritamente "é um".

 {w=90}

Como resolver essa situação? Note que conhecer a sintaxe da linguagem não é o suficiente, precisamos estruturar/desenhar bem a nossa estrutura de classes.

Interfaces

O que precisamos para resolver nosso problema? Arranjar uma forma de poder referenciar Diretor, Gerente e Cliente de uma mesma maneira, isto é, achar um fator comum.

Se houvesse uma forma na qual essas classes garantissem a existência de um determinado método por meio de um contrato, resolveríamos o problema.

Toda classe define dois itens:

Podemos criar um "contrato" o qual define tudo o que uma classe deve fazer se quiser ter um determinado status. Imagine:

contrato "Autenticavel":

        Quem quiser ser "Autenticavel" precisa saber:
            1. Autenticar uma senha, devolvendo um booleano.

Quem quiser pode assinar esse contrato, sendo, assim, obrigado a explicar como será feita essa autenticação. A vantagem é que, se um Gerente assinar esse contrato, podemos nos referenciar a um Gerente como um Autenticavel.

Podemos criar esse contrato em Java!

public interface Autenticavel {

    boolean autentica(int senha);

}

Chama-se interface, pois é a maneira pela qual poderemos conversar com um Autenticavel. Interface é a maneira por meio da qual conversamos com um objeto.

Lemos a interface da seguinte maneira: "quem desejar ser Autenticavel precisa saber autenticar recebendo um inteiro e retornando um booleano". Ela é um contrato que quem assina se responsabiliza por implementar esses métodos (cumprir o contrato).

Pela ideia base de uma interface, ela pode definir uma série de métodos, mas nunca conter suas implementações. Ela só expõe o que o objeto deve fazer, e não como ele o faz, nem o que ele tem. Como ele o faz será definido em uma implementação dessa interface.

E o Gerente pode "assinar" o contrato, ou seja, implementar a interface. No momento em que ele implementa essa interface, precisa escrever os métodos pedidos por ela (muito parecido com o efeito de herdar métodos abstratos, aliás, métodos de uma interface são públicos e abstratos sempre). Para implementar, usamos a palavra-chave implements na classe:

public class Gerente extends Funcionario implements Autenticavel {

    private int senha;

    // Outros atributos e métodos.

    public boolean autentica(int senha) {
        if(this.senha != senha) {
            return false;
        }
        // Pode fazer outras possíveis verificações como saber se esse
        // departamento do gerente tem acesso ao Sistema.

        return true;
    }

}

 {w=90}

O implements pode ser lido da seguinte maneira: "a classe Gerente se compromete a ser tratada como Autenticavel, sendo obrigada a ter os métodos necessários, definidos neste contrato".

A partir de agora, podemos tratar um Gerente como sendo um Autenticavel. Ganhamos mais polimorfismo! Temos mais uma forma de referenciar a um Gerente. Quando crio uma variável do tipo Autenticavel, estou criando uma referência a qualquer objeto de uma classe que implemente Autenticavel, direta ou indiretamente:

Autenticavel a = new Gerente();
// Posso aqui chamar o método autentica!

Novamente, a utilização mais comum seria receber por argumento, como no nosso SistemaInterno:

public class SistemaInterno {

  public void login(Autenticavel a) {
     int senha = // Pega senha de um lugar ou de um scanner de polegar.
     boolean ok =   a.autentica(senha);

     // Aqui eu posso chamar o autentica!
     // Não necessariamente é um Funcionario!
     // Além do mais, eu não sei que objeto a
     // referência "a" está apontando exatamente! Flexibilidade.
  }

}

Pronto! E já podemos passar qualquer Autenticavel para o SistemaInterno. Então, precisamos fazer com que o Diretor também implemente essa interface.

public class Diretor extends Funcionario implements Autenticavel {

    // Métodos e atributos devem obrigatoriamente ter o autentica.

}

 {w=80}

Podemos passar um Diretor. No dia em que tivermos mais um funcionário com acesso ao sistema, bastará que ele implemente essa interface para se encaixar no sistema.

Qualquer Autenticavel passado ao SistemaInterno está bom para nós. Repare que pouco importa quem o objeto referenciado realmente é, pois ele tem um método autentica o qual é necessário para nosso SistemaInterno funcionar corretamente. Aliás, qualquer outra classe que futuramente implemente essa interface poderá ser passada como argumento aqui.

Autenticavel diretor = new Diretor();
Autenticavel gerente = new Gerente();

Ou, se achamos que o Fornecedor precisa ter acesso, ele só precisará implementar Autenticavel. Olhe só o tamanho do desacoplamento: quem escreveu o SistemaInterno necessita somente saber que ele é Autenticavel.

public class SistemaInterno {

  public void login(Autenticavel a) {
    // Não importa se ele é um gerente ou diretor,
    // será que é um fornecedor?
    // Eu, o programador do SistemaInterno, não me preocupo.
    // Invocarei o método autentica.
  }

}

Não faz diferença se é um Diretor, Gerente, Cliente ou qualquer classe que venha por aí. Basta seguir o contrato! Além do mais, cada Autenticavel pode se autenticar de uma maneira completamente diferente de outro.

Lembre-se: a interface define que todos saberão se autenticar (o que ele faz), enquanto a implementação define como exatamente será feito (de que forma ele faz).

A maneira pela qual os objetos se comunicam em um sistema orientado a objetos é muito mais importante do que como eles executam. O que um objeto faz é mais importante do que como ele o faz. Aqueles que seguem essa regra terão sistemas mais fáceis de manter e modificar. Conforme você já percebeu, essa é uma das ideias principais que queremos passar e, provavelmente, a mais importante de todo esse curso.

Mais sobre interfaces: herança e métodos default

Diferentemente das classes, uma interface pode herdar de mais de uma interface. É como um contrato o qual depende que outros contratos sejam fechados antes daquele valer. Você não herda métodos e atributos, mas, sim, responsabilidades.

Um outro recurso em interfaces são os métodos default a partir do Java 8. Você pode, sim, declarar um método concreto utilizando a palavra default ao lado, e suas implementações não precisam necessariamente reescrevê-lo. Veremos que isso acontece, por exemplo, com o método List.sort durante o capítulo de coleções. É um truque muito utilizado para poder evoluir uma interface sem quebrar compatibilidade com as implementações anteriores.

Dificuldade no aprendizado de interfaces

Interfaces representam uma barreira no aprendizado do Java: parece que estamos escrevendo um código o qual não serve para nada, uma vez que teremos essa linha (a assinatura do método) escrita nas nossas classes implementadoras. Essa é uma maneira errada de se pensar. O objetivo do uso de uma interface é deixar seu código mais flexível e possibilitar a mudança de implementação sem maiores traumas. Não é apenas um código de prototipação ou um cabeçalho!

Os mais radicais dizem que toda classe deve ser interfaceada, isto é, só devemos nos referir a objetos por intermédio das suas interfaces. Se determinada classe não tem uma interface, ela deveria tê-la. Os autores deste material acham tal medida radical demais, porém o uso de interfaces em vez de herança é amplamente aconselhado. Você pode encontrar mais informações sobre o assunto nos livros Design Patterns, Refactoring e Effective Java.

No livro Design Patterns, logo no início, os autores citam duas regras de ouro. Uma é: "evite herança, prefira composição", e a outra: "programe voltado à interface, e não à implementação".

Veremos o uso de interfaces no capítulo de coleções, o que melhorará o entendimento do assunto. O exemplo da interface Comparable também é muito esclarecedor, no qual enxergamos o reaproveitamento de código mediante as interfaces, além do encapsulamento. Para o método Collections.sort(), pouco importa quem será passado como argumento, pois basta que a coleção seja de objetos comparáveis. Ele pode ordenar Elefante, Conexao ou ContaCorrente, desde que implementem Comparable.

Exemplo interessante: conexões com o banco de dados

Como fazer com que todas as chamadas para bancos de dados diferentes respeitem a mesma regra? Usando interfaces!

Imagine uma interface Conexao contendo todos os métodos necessários à comunicação e troca de dados com um banco de dados. Cada banco de dados fica encarregado de criar a sua implementação para essa interface.

Quem for usar uma Conexao não precisa se importar com qual objeto exatamente está trabalhando, posto que ele cumprirá o papel que toda Conexao deve ter. Não importa se é uma conexão com um Oracle ou MySQL.

 {w=80}

Apesar do java.sql.Connection não trabalhar bem assim, a ideia é muito similar. Porém, as conexões vêm de uma factory chamada DriverManager.

Conexão a banco de dados está fora do escopo desse treinamento, mas é um dos primeiros tópicos abordados no curso FJ-21 juntamente com DAO.

Um pouco mais...

Exercícios: interfaces

  1. Nosso banco precisa tributar dinheiro de alguns bens que nossos clientes possuem. Para isso, criaremos uma interface no pacote br.com.caelum.contas.modelo do nosso projeto fj11-contas já existente:

    • O nome da interface deverá ser Tributavel;

    • Deverá ter um único método chamado getValorImposto(), que não recebe nada e devolve um double.

    Lemos essa interface da seguinte maneira: "todos que quiserem ser tributável precisam saber retornar o valor do imposto, devolvendo um double".

    Alguns bens são tributáveis e outros não. ContaPoupanca não é tributável, já para ContaCorrente, você precisa pagar 1% da conta, e o SeguroDeVida tem uma taxa fixa de 42 reais mais 2% do valor do seguro.

    Assim, para atender a essa nova necessidade, você deve:

    • Alterar a classe ContaCorrente;
    • Criar a classe SeguroDeVida .

    A classe SeguroDeVida deverá estar no pacote br.com.caelum.contas.modelo e ter os seguintes atributos encapsulados: valor (do tipo double), titular (do tipo String) e numeroApolice (do tipo int).

    Dica: na classe SeguroDeVida, lembre-se de escrever o método getTipo para que o tipo do produto apareça na interface gráfica.

  2. Criaremos a classe ManipuladorDeSeguroDeVida dentro do pacote br.com.caelum.contas para vincular a classe SeguroDeVida à tela de criação de seguros. Aquela classe deve ter um atributo do tipo SeguroDeVida.

    Deve ter também o método criaSeguro, que não retorna nada e deve receber um parâmetro do tipo Evento para conseguir obter os dados da tela. Use os seguintes métodos da classe Evento a fim de pegar estes dados:

    • evento.getInt("numeroApolice"));
    • evento.getString("titular"));
    • evento.getDouble("valor"));

    Dica: use os métodos setters da classe SeguroDeVida para guardar as informações obtidas. Exemplo:

    this.seguroDeVida.setNumeroApolice(evento.getInt("numeroApolice"));
  3. Execute a classe TestaContas e tente cadastrar um novo seguro de vida. O seguro cadastrado deve aparecer na tabela de seguros de vida.

  4. Queremos saber qual o valor total dos impostos de todos os tributáveis. Então criemos a classe ManipuladorDeTributaveis dentro do pacote br.com.caelum.contas. Crie também o método calculaImpostos, que não retorna nada e recebe um parâmetro do tipo Evento. Mais pra frente preencheremos o corpo desse método.

    Essa classe também deverá ter o atributo encapsulado total do tipo double.

  5. Agora que criamos o tributável, habilitaremos a última aba de nosso sistema. Altere a classe TestaContas para passar o valor true na chamada do método mostraTela.

    Observe: agora que temos o seguro de vida funcionando, a tela de relatório já consegue imprimir o valor dos impostos individuais de cada tipo de Tributavel.

  6. No método calculaImpostos da classe ManipuladorDeTributaveis, precisamos buscar os valores de impostos de cada Tributavel, somá-los e atribuí-los ao atributo total. Para isso, usaremos os seguintes métodos da classe Evento:

    • getTamanhoDaLista que deve receber o nome da lista desejada, nesse caso, "listaTributaveis". Esse método retorna a quantidade de tributáveis:
    evento.getTamanhoDaLista("listaTributaveis");
    • getTributavel retorna um Tributavel de uma determinada posição de uma lista, em que precisamos passar o nome da lista e o índice do elemento:

      evento.getTributavel("listaTributaveis", i);

      Dica: utilize o comando for para percorrer a lista inteira, passando por cada posição.

      Por fim, o método calculaImpostos deverá invocar o método getValorImposto() e acumular o valor do imposto de todos os tributáveis no atributo total:

    total += t.getValorImposto();

    Repare que, de dentro do ManipuladorDeTributaveis, você não pode acessar o método getSaldo, por exemplo, pois não há a garantia de que o Tributavel a ser passado como argumento tenha esse método. A única certeza é a de que esse objeto tem os métodos declarados na interface Tributavel.

    É interessante enxergar que as interfaces (como nesse caso, Tributavel) costumam ligar classes muito distintas, unindo-as por uma característica que elas têm em comum. No nosso exemplo, SeguroDeVida e ContaCorrente são entidades completamente distintas, porém ambas possuem a característica de serem tributáveis.

    Se amanhã o governo começar a tributar até mesmo PlanoDeCapitalizacao, basta que essa classe implemente a interface Tributavel! Repare no grau de desacoplamento que temos: a classe GerenciadorDeImpostoDeRenda nem imagina que trabalhará como PlanoDeCapitalizacao. Para ela, o único fato importante é que o objeto respeite o contrato de um tributável, isto é, a interface Tributavel. Novamente: programe voltado à interface, não à implementação.

    Quais os benefícios de manter o código com baixo acoplamento?

  7. (Opcional) Crie a classe TestaTributavel com um método main para testar o nosso exemplo:

    public class TestaTributavel {
    
        public static void main(String[] args) {
            ContaCorrente cc = new ContaCorrente();
            cc.deposita(100);
            System.out.println(cc.getValorImposto());
    
            // testando polimorfismo:
            Tributavel t = cc;
            System.out.println(t.getValorImposto());
        }
    }

    Tente chamar o método getSaldo por meio da referência t. O que ocorre? Por quê?

    A linha em que atribuímos cc a um Tributavel é apenas para você enxergar que é possível fazê-lo. Nesse nosso caso, isso não tem uma utilidade. Essa possibilidade foi útil no exercício anterior.

Exercícios opcionais

Atenção: caso você resolva esse exercício, faça-o em um projeto à parte conta-interface, uma vez que usaremos a Conta como classe em exercícios futuros.

  1. (Opcional) Transforme a classe Conta em uma interface.

    public interface Conta {
        public double getSaldo();
        public void deposita(double valor);
        public void saca(double valor);
        public void atualiza(double taxaSelic);
    }

    Adapte ContaCorrente e ContaPoupanca a essa modificação:

    public class ContaCorrente implements Conta {
        // ...
    }
    public class ContaPoupanca implements Conta {
        // ...
    }

    Algum código terá de ser copiado e colado? Isso é tão ruim?

  2. (Opcional) Às vezes, é interessante criarmos uma interface que herde de outras interfaces: aquela é chamada de subinterface, e nada mais é do que um agrupamento de obrigações para a classe que a implementar.

    public interface ContaTributavel extends Conta, Tributavel {
    }

    Dessa maneira, quem for implementar essa nova interface precisa implementar todos os métodos herdados das suas superinterfaces (e talvez ainda novos métodos declarados dentro dela):

    public class ContaCorrente implements ContaTributavel {
      // métodos
    }
    
    Conta c = new ContaCorrente();
    Tributavel t = new ContaCorrente();

    Repare que o código pode parecer estranho, pois a interface não declara método algum, só herda os métodos abstratos declarados nas outras interfaces.

    Ao mesmo tempo que uma interface pode herdar de mais de uma outra interface, classes só podem ter uma classe mãe (herança simples).

Discussão: favoreça composição em relação à herança

Discuta com o seu instrutor e colegas alternativas à herança. Falaremos de herança versus composição, além de o porquê da herança ser, muitas vezes, considerada maléfica.

Em uma entrevista, James Gosling, pai do Java, fala sobre uma linguagem puramente de delegação e chega a dizer:

Rather than subclassing, just use pure interfaces. It's not so much that class inheritance is particularly bad. It just has problems.

(Tradução livre: "Em vez de fazer subclasses, use simplesmente interfaces. Não é que a herança de classes seja particularmente ruim. Ela só tem problemas.")

http://www.artima.com/intv/gosling3P.html

No blog da Caelum, há também um post sobre o assunto: http://blog.caelum.com.br/2006/10/14/como-nao-aprender-orientacao-a-objetos-heranca/